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JUSTIFICAÇÃO – GRAÇA DIVINA
28/5/2007 - Creuza Lealdina dos Santos

Leitura Bíblica: Atos 13:39; Romanos 3:28 e 5:18-21

1. Introdução

Segundo o dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio, a expressão justificar significa “demonstrar ou provar a inocência”. No direito penal, cabe ao juiz, mediante as provas carreadas aos autos e através de sentença, declarar a inocência ou a culpa da pessoa acusada de transgredir a lei. Quando declarada a inocência, o indivíduo é justo; quando declarada a culpa significa que ele é réu. 

Na termologia bíblica o sentido da expressão é o mesmo, ou seja, justificar é declarar o réu inocente e justo, no entanto difere do direito comum quando o homem como transgressor da lei divina não dispõe, por si mesmo, de qualquer meio pelo qual possa ser justificado. A Bíblia é bastante clara ao expressar que: "A alma que pecar esta morrerá" (Ezequiel. 18:4b). Não obstante tão dura sentença, o apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, no capítulo 6, verso 23, com firmeza assim declara: "O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus nosso Senhor". É exatamente isso que nos dá força para lutar contra as investidas de satanás.

A Justificação implica diretamente na relação do homem com Deus perante Suas leis. Dessa forma, o Senhor Deus como Justo Juiz poderia, sob o peso da condenação divina, deixar-nos entregues aos nossos delitos pecaminosos, já que todos somos transgressores de Suas leis. No entanto, Paulo também ao afirmar que: "todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus", sabia do incomparável amor de Deus que O levou a entregar em sacrifício o Seu único Filho para a remissão de nossas almas e, por isso mesmo, pôde continuar a sua afirmação: “e são justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Romanos 3:23-24).


2. Termos Importantes ligados à Justificação

Ao examinarmos as Sagradas Escrituras, freqüentemente deparamos com termos bem conhecidos no mundo jurídico e que na linguagem bíblica referem-se a atos que dizem respeito ao relacionamento de Deus com a raça humana.

Assim vejamos alguns desses termos:

2.1 Juiz: possui o dever de julgar segundo a lei (II Crônicas 19: 5-10). O nosso Deus é o "juiz de todos" (Hebreus 12:23) e "justiça e direito são fundamentos do Seu trono" (Salmos 89:14);

2.2 Juízo: refere-se ao julgamento num pleito judiciário (Deuteronômio 1:17);

2.3 Tribunal: refere-se ao local onde acontecem os julgamentos. Em Romanos 14:10 Paulo afirma que todos nós "havemos de comparecer perante o Tribunal de Cristo";

2.4 Réu: diz-se da pessoa contra quem foi proposta uma ação ou daquela que depois de julgada é considerada culpada. A blasfêmia contra o Espírito Santo, faz do indivíduo réu do pecado eterno (Marcos 3:29);

2.5 Advogado: é quem defende o acusado diante do juiz. O apóstolo João lembra que Cristo é o nosso advogado junto ao Pai Celestial (I João 2:1);

2.6 Condenação: diz-se da sentença dada pelo juiz em que o réu é declarado culpado. Em Romanos 8:1, está escrito que "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito";

2.7 Lei: diz-se de norma jurídica obrigatória, sob a qual todos estão submissos;

2.8 Mandamento: é a ordem escrita emanada do Juiz;

2.9 Transgressão: é a violação da lei;

2.10 Delito: refere-se ao ato declarado punível pela lei. O Apóstolo Paulo no capítulo 2, verso 1 de Efésios, diz que Cristo nos vivificou, estando nós mortos em nossos delitos e pecados.


3. Fundamento da Justificação

A condenação do pecador é o resultado de sua transgressão aos mandamentos sagrados. Portanto, só Deus pode condenar ou justificar.

O Livro de Salmos, no capítulo 49, versos 7 e 8 registra a seguinte escritura: "Ninguém pode remir a seu irmão ou dar a Deus o resgate dele (pois a redenção de sua alma é caríssima e seus recursos se esgotariam antes)”.

Deus para resgatar o homem das garras do pecado e trazê-lo novamente à condição de inocente na qual o criou, determinou que Cristo Jesus pagasse um preço caríssimo, que nenhum outro poderia pagar, pois o recurso usado para esse pagamento foi o sangue inocente do Seu Unigênito Filho. Razão assiste ao escritor aos Hebreus, que no capítulo 9, verso 22 assim declara: "sem derramamento de sangue não há remissão".

A justificação é graça divina outorgada ao pecador através de Jesus Cristo (Romanos 3:25-26 e 8:33-34) e, dessa forma, não se prende a nenhum ato ou esforço humano. Apocalipse 13, verso 8 demonstra claramente que na queda do homem, lá no Éden, Deus já tinha idealizado o Plano de Salvação. Vejamos o termo: "no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo". Isso nos leva a ter a convicção absoluta que Deus nos criou para a eternidade (Eclesiastes 3:11) e, portanto, na eternidade deliberou a nossa justificação. Confira os textos: Efésios 1:4; II Timóteo 1:9; Tito 1:2.


4. A Justificação é ato de Fé

A justificação está ao alcance de todos e o único requisito que estabelece a palavra de Deus para que nós nos apropriemos dessa maravilhosa graça, concedida através de Jesus Cristo, é a fé (Romanos 3:22). Nesse ato não há distinção de raça ou classe social, sendo a fé a satisfação exclusiva que o homem, na sua condição de miserável pecador, pode oferecer a Deus.

Em Romanos 3:27, o apóstolo Paulo enfatiza: "Onde está a jactância? É excluída. Por qual lei? das obras? Não, mas pela lei da fé”.

Ao escrever aos Efésios o mesmo apóstolo faz esta afirmação: "Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie" (Ef. 2:8-9). Ainda acerca da justificação pela fé vejamos os textos: Romanos 1:17, 5:1 e  Gálatas 2:16.

Todavia, não se pode esquecer que a fé em si mesma não salva nem justifica; essa só tem validade se estiver deposita no Senhor Jesus Cristo que foi quem pagou o alto preço da nossa redenção.


5. O Cristão e a Justificação

O Senhor Jesus ao afirmar, em Mateus capítulo 7, verso 20, que "pelos seus frutos os conhecereis", deixa claro que a justificação é uma característica que deve ser demonstrada no viver diário do verdadeiro cristão. Vejamos outros textos: Mateus. 5:16; João 15:8;Tito 2:13-14;  Tiago.2: 22 a 26; I Pedro 2:12; e I João 2:29;.

Os textos citados trazem-nos a convicção absoluta que as boas obras a serem evidenciadas na vida do crente, nada mais são do que os efeitos produzidos pela fé em Deus que leva a justificação.

6. Conclusão

Pelo Sacrifício Expiatório de Cristo, somos declarados justos perante o Justo Juiz, nosso Deus. Paulo escrevendo à Igreja de Corinto fez este pronunciamento: "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (II Corintios 5:21).

Cristo não apenas pagou a nossa culpa no Calvário, mas ainda hoje junto ao Pai Celeste intercede por nós, como um advogado fiel que luta pelas causas que lhe são confiadas. O apóstolo João, o mesmo que nos lembra que Cristo é o nosso advogado (I João 2:1), também nos lembra que não temos o direito de viver pecando: "Qualquer que permanece Nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu e nem o conheceu" (I João 3:6).

Sem nenhuma pretensão de esgotar um assunto tão sublime e vasto, concluímos que a justificação nos declara inocentes, como se jamais houvéssemos cometido qualquer delito. As nossas culpas, pelo Grande Amor de Deus, são totalmente apagadas (Isaias 1:18; 43:25 e 44: 22; Hebreus 10:17).

Assim, ansiosamente aguardamos o dia em que o nosso advogado se tornará o juiz que proferirá em alta voz a sentença declaratória da nossa inocência: “Vinde bendito de meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25:34), mas para aqueles que não são capazes de reconhecer o sacrifício expiatório de Cristo, soará a dura sentença declaratória de culpa: “Afastai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41). 

Honras e Glórias para sempre sejam dadas ao Senhor Deus que nos concedeu tão inaudita graça: A Justificação! Aleluia!... Amém!...

(Creuza Lealdina dos Santos – membro da IDP em Vila Velha – ES)

 
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